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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

No olhar

18.02.21, Alice Alfazema

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Ilustração  Paola Castelló -La Maga-

 

Quando me vejo ao espelho, centro a minha atenção na expressão do olhar, no  seu contorno, e nalguns raios vermelhos que rodeiam a íris, e sei o que vai para além disso, sei que a pálpebra direita está mais descaída porque durmo para esse lado, sei que o tempo esfumou-se, e o meu olhar perdeu o branco cristalino, e também o fulgor da alegria. De certa maneira, os olhos são como as nossas mãos, reflectem-nos, acusam-nos do que fizemos e do que não fizemos. Os nossos olhos vão minguando à medida do dia a dia, e com isso deixamos para trás aquilo que pouco nos importa, somente voltam a brilhar quando queremos manter o coração em sintonia com a visão. E isso pode acontecer por qualquer razão.

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