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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Nem todos os pássaros são azuis, nem todas as árvores são verdes

13.12.20, Alice Alfazema

pássaros azuis.jpg

Fotografia Kris Tynski

Era uma árvore de natal, plástica e de um verde profundo, em cima uma estrela de purpurinas prateadas, bolas de um material fibroso e brilhante enfeitavam os ramos, uns quantos chocolates cobriam as pontas dos ramos e as fitas de poliéster caíam em cascata. Por baixo avistava-se uma cena da Bíblia. Jesus estava deitado nas palhas, acabado de nascer.

Era uma árvore frondosa e velha, tão velha que nela habitavam milhares de seres, as formigas faziam carreiros de alto a baixo, algumas aranhas teciam as suas teias com requintes de luxo. Um lagarto apoderou-se de um dos muitos buracos que existem no tronco, outro era habitado por um pica-pau, no topo uma águia pousou com elegância, mais abaixo uma coruja disfarçava-se na cor do tronco, nos ramos várias sementes ainda persistiam agarradas umas às outras, as folhas atingiam todas as cores possíveis de verde, a copa formava um ciclo quase perfeito, uma sombra fresca no Verão, um abrigo no Inverno, lá em baixo cogumelos nasciam de um dia para o outro, o musgo era um tapete persa macio e lustroso, as raízes esculpiam a terra em busca de alimento. Mais ao largo duas mãos aproximavam-se carregando uma motoserra.