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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Não  tem obrigatoriamente de dizer tudo

17.08.19, Alice Alfazema

ilusão.jpg

 

 

Às vezes, um verso transforma o modo como 
se olha para o mundo; as coisas revelam-se 
naquilo que imaginação alguma a supôs; e 
o centro desloca-se de onde estava, desde 
a origem, obrigando o pensamento a rodar 
noutra direcção.

 

mudança.jpg

 

 

O poema, no entanto, não 
tem obrigatoriamente de dizer tudo. A sua 
essência reside no fragmento de um absoluto 
que algum deus levou consigo.
Olho para 
esse vestígio da totalidade sem ver mais 
do que isso — o desperdício da antiga 
perfeição — e deixo para trás o caminho 
da ideia, a ambição teológica, o sonho do 
infinito.

 

agora.jpg

 

 

De que eternidade me esqueço, 
então, no fundo da estrofe?

 

 

 

Poema de Nuno Júdice, in O Movimento do Mundo, 1996

 

As ilustrações são de Jon Krause

 

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