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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Mulher conserveira

Metalinguagem

19.01.21, Alice Alfazema

mulher conserveira.jpg

 

Ilustração Mara Silva

 

O poema é uma sombra,
é um peixe arredio
que sangra pelo mar até chegar às mãos de alguém,
ou que sangra das mãos até o fundo
fundo e fundo.
afundo e ainda encontro a sombra
a cauda veloz que se dissipa.
um segredo se esconde nas escamas
escrito no lado convexo
bem ali, onde sangra
e minha pele suja, minhas mãos aflitas e meus olhos fracos
são incapazes de arrancá-lo.
e o poema é um quase, é o sangue do peixe se confundido com o meu.
o poema é nado
é nada
é tudo
sempre foi.

o poema é uma sombra
agarrada ao pé, segue os passos e se confunde com o que suja o chão
com o que suja os olhos,
o poema é ilusório.

(o poema é o peixe, é a sombra do peixe, é o homem, é a sombra do homem, é a cauda do peixe sob a sombra do homem, é a sombra da cauda do peixe sob a sombra do calcanhar do homem, e o homem é o peixe, peixe-homem, homem-peixe. o poema é o anzol, que fisga até a última palavra, e a isca é o texto.)

“última palavra”

 

Poema retirado de Fazia poesia

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