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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

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Micro contos - Um amor deslavado

11.02.18, Alice Alfazema

O rapagão musculado, puro ginásio, barba grande e ruiva, todo vestido de preto, assim para o desportivo, gorro de marca, calças de marca, daquelas descidas no rabo e apertadinhas nas pernas. O rapagão estava ao frio e à chuva miudinha que caía pela manhã, falava num tom alto ao telemóvel, assim sem o encostar ao ouvido, andava constantemente de um lado para o outro, mas mantendo meio metro do carro.  Na lavandaria a mulher mais os filhos esperavam que a roupa fosse lavada, assim que a máquina terminou a mulher colocou a roupa a secar, esperou que tudo ficasse seco, dobrou-a enquanto a miúda pequena vestida de Carnaval gritava entusiasmada que tinha encontrado as cuecas. O filho ajudou-a a levar os sacos cheios, ao todo foram quatro, daqueles grandes. Lá fora o rapagão ainda estava ao telemóvel. Um amor deslavadinho.

 

 

Alice Alfazema

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