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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Meu bolo de morangos

17.04.17, Alice Alfazema

Aqui está o meu bolo de morangos, leve, levezinho, foi-se num instantinho. É vermelho, é encarnado, é branco, é rosa clarinho. É doce, mas tem toques de limão. 

 

 

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É assim o amor, a amizade e a vida, às vezes é doce outras tem toques de limão. São etapas, fases, luas, são jeitos de ser, são coisas banais, outras singulares, uns dias assim outros assado. 

 

 

O meu amor tem lábios de silêncio
e mãos de bailarina
e voa como o vento
e abraça-me onde a solidão termina

 

 

 

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Depois da festa a ressaca, o cansaço, o enjoo, antes disso a euforia. Como em tudo, o entusiasmo de vir a ser. Depois chegam os defeitos, revelam-se as misérias, os medos. Os morangos são ácidos, o creme está demasiado espesso.    


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O meu amor tem trinta mil cavalos
a galopar no peito
e um sorriso só dela
que nasce quando a seu lado eu me deito

 

 

 

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O prato onde está poisado o meu bolo é bonito, quem mo ofereceu já cá não está. Os pensamentos pairam, as vozes correm pelo ar, gargalham, os copos brilham e reflectem as cores de quem os leva à boca. O vinho é doce e tem cor de mel, sabem bem aquelas uvas que foram banhadas pelo sol, estarei bebendo sol?


.


O meu amor ensinou-me a chegar
sedento de ternura
sarou as minhas feridas
e pôs-me a salvo para além da loucura

 

 

 

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É a vida e o amor como um bolo? Vamos devorando cada dia, assim como cada fatia. Jamais podemos comer a mesma duas vezes. Nenhum dia poderá ser vivido duas vezes. Tal como no amor. Tal como na vida. Tal como num bolo de morangos.

 


.
O meu amor ensinou-me a partir
nalguma noite triste
mas antes, ensinou-me
a não esquecer que o meu amor existe

 

 

 

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O amor existe, a vida existe, o meu bolo de morangos existe, mas tudo se extingue tão rápido como um pestanejar de olhos, como num breve sorriso. Fica até se ir, o amor, a vida, o meu bolo de morangos. Nada é completamente alegre, nem completamente triste. Não é permitido voltar atrás, mas também não é permitido viver no amanhã. Cada fatia é única, tal como cada dia, cada amor, cada bolo de morangos.

 

 

 

 

O poema é de Jorge Palma.

 

 

Alice Alfazema

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