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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

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Março dia 13 - Mulheres que vivem num bordel

13.03.17, Alice Alfazema

 

 

Anupa não sabe que idade tem. É uma trabalhadora sexual que trabalha no maior e mais antigo bordel do Bangladesh. Foi sequestrada por um traficante de pessoas e vendida por 400 dólares. Actualmente, é forçada a ter relações sexuais com vários clientes por dia para poder pagar a sua "dívida". Para que se desenvolvesse mais rápido e parecesse mais velha deram-lhe os mesmos esteróides que se dão às vacas, para que estas engordem. "Antes de começar a tomar os comprimidos, qualquer beleza que pudesse algum dia ter tido, pura e simplesmente desapareceu. A minha pele ficou estragada e o meu corpo já não é como antes."

 

 

Entre uma concorrida estação de comboios e um porto de mercadorias cheio de milhares de homens, Dautladia é a casa de quase duas mil trabalhadoras sexuais, a maioria delas crianças e muitas submetidas à escravatura sexual. Construído pelos britânicos durante o domínio colonial, actualmente é propriedade da família de um político da região, que beneficia com o crescimento económico da zona.

 

 

 

 

 

O Bangladesh é um dos poucos países islâmicos que não criminaliza a prostituição, ainda que alguns bordéis tenham fechado.

 

Segundo dados da Action Aid, há cerca de 200 mil mulheres a trabalhar na indústria do sexo no Bangladesh, na sua maioria adolescentes. Apesar de ser ilegal que raparigas menores de 18 anos trabalhem na prostituição, muitas delas acabam por trabalhar neste ofício contra a sua vontade, ou apenas para sobreviverem . E os homens vão ao bordel como escapatória às normas estabelecidas, nas quais o sexo antes do casamento é um tabu e o jogo ilegal.

 

 

 

 

A cada dia que passa, estas raparigas perdem a esperança de poderem abandonar esta vida. "Eu sonho, irmã, com poder ir embora daqui. Os homens vêm, dão-me dinheiro, fazem o que têm a fazer e vão- se embora. Não tenho ninguém que me queira aqui", diz uma trabalhadora sexual que não quis dar o seu nome.

 

Muitas das raparigas em Dautladia pertencem já à segunda ou terceira geração de trabalhadoras sexuais, em alguns dos casos descendentes de mulheres que trabalharam no bordel durante o governo britânico. Mas, apesar das perspectivas de um futuro desolador, algumas tentam assegurar que, pelo menos os seus filhos não lhes sigam os passos. Não é permitida a entrada de crianças no bordel, por isso durante décadas as mães de Dalatdia enviaram os seus filhos, com dois anos, para os seus familiares. Aquelas que estabelecem relações duradouras, por vezes, acabam por casar- se oficialmente, mas o mais comum é que tenham um acordo matrimonial verbal. Nestes casos, as mães deixam os filhos ao cuidado dos pais, dos seus parentes, ou com uma família de acolhimento, num acordo informal e a troco de dinheiro.

 

 

O texto é de Tania Rashid e Soraya Auer, podem ler o artigo completo aqui, as fotografias são de Sandra Hoyn e foram retiradas daqui.

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

 

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