Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Livro dos Elogios

20
Mar23

A semana passada fui comprar umas calças de ganga, não é do meu inteiro agrado as idas a locais para comprar roupa, não tenho paciência para andar a experimentar uma e outra vez até encontrar aquilo que quero, sendo que muitas das vezes saio de lá de mau humor, pois também não gosto de andar por ali a deambular ao som de música estridente dentro da loja, o que me deixa sem capacidade para pensar, assim como detesto estar dentro daqueles cubículos a vestir e a despir trapinhos. Sendo assim, entrei na loja sem grandes expectativas, e para não perder muito tempo arrisquei pedir à funcionária se me arranjava umas calças com determinadas características, prontamente a rapariga trouxe-me dois pares diferentes e que correspondiam àquilo que eu tinha pedido - fiquei radiante, em menos de cinco minutos fui experimentar os modelitos e um deles ficou óptimo. Agradeci efusivamente à funcionária (uma miúda novita) e fui pagar. 

Cheguei ao balcão e perguntei se tinham o livro dos elogios, a rapariga arregalando os olhos disse-me que sim, então quero escrever nele, é sobre aquela rapariga que está junto aos provadores, sim é a Carolina, e deu-me o livro para as mãos, livro esse que estava dividido por nomes de funcionários, cada um com as suas páginas exclusivas. Reparei que naquela página já constavam dois elogios, li-os de relance, falavam de sorriso e simpatia, o primeiro dizia respeito a três pessoas, o segundo a duas, escrevi o meu comentário, no entanto não enalteci apenas o sorriso, coloquei lá o profissionalismo demonstrado no cuidado personalizado ao cliente, desejei para o futuro, foi sobretudo uma mensagem para o presente com projecção no futuro, envolvendo a auto-estima e a confiança em nós próprios. Devolvi o livro, e eis que a rapariga do balcão diz-me sem sorrir: ela vai gostar muito, ela hoje está a precisar mesmo disso, eu sorri àquela frase e não perguntei mais nada, saí dali com os pensamentos a fervilhar.

Fiquei a pensar que aquela não foi apenas uma mensagem num mero encontro dentro do quotidiano, eu precisei a agradeci, ela não precisava, mas deu mais do que seria suposto, e mesmo estando num dia mau deu o seu melhor. Espero que tenha entendido a minha mensagem, que vista depois do comentário da colega parecia ter sido feita à medida.

36 comentários

Comentar post

Pág. 1/3