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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Lá fora

cá dentro

10.02.21, Alice Alfazema

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Ilustração Virginia Gayarre

 

Fico sempre maravilhada com o avanço da ciência, e com o esforço de muitas mentes que trabalham para a descoberta de medidas eficazes para o bem comum. Agradeço o esforço de muitos outros que têm estado sempre presente para nos informar, tomar decisões, reunir estratégias, ou fazendo o trabalho prático que é necessário para manter a engrenagem humana a funcionar. Admiro todos os que estão em teletrabalho, cuidando ao mesmo tempo dos filhos, e todos os que têm-se reinventado e tomado as rédeas da sua vida.  

 

A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes,estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos

 

Lá fora a água escorre pela janela, pelas paredes, alimentando o bolor que começa a invadir um dos lados da parede. O escuro espalha-se comendo a tinta, dando agora um ar descuidado ao ambiente. No entanto o aconchego do calor ultrapassa essa visão. Um bolo de laranja espalha-se pelo ar, fisicamente ergue-se em cima do balcão, na sua essência invade cada canto. 

 

Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo

 

 

O poema é de José Tolentino de Mendonça

 

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