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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Jesus Cristo

Páscoa 20/20

10.04.20, Alice Alfazema

Falar sobre Jesus Cristo, antes de Cristo, depois de Cristo, todos nós de alguma forma sabemos a história de Jesus, na História existe a barra antes e depois de Cristo, como se tal indicasse uma terminação e um começo. Estamos agora na Páscoa, em época de quarentena para os cristãos, ironicamente alargada agora a tantos outros. Considero Jesus um homem à frente do seu tempo, tenho alguns conhecimentos laicos sobre a Bíblia, a minha visão sobre a Bíblia e o propósito de Jesus Cristo é baseada naquilo que li em criança e jovem adulta, sendo a minha mãe uma pessoa religiosa, mas sem poder ler, cabia-me a mim fazê-lo, ela pedia-me e eu fazia de interlocutor, lendo passagens da Bíblia, voltando atrás quando ela não entendia, lia como se lê uma história a uma criança, um dia ela comprou uma Bíblia ilustrada, com páginas maravilhosas e debruadas a ouro, o livro era muito grande, a nossa troca era simples, eu lia aquilo que ela queria saber, e ela comprava-me os livros que eu quisesse ler. 

 

Ler assim sobre Jesus Cristo dá-nos outra perspectiva para além da religião, ler como quem lê uma história qualquer, verificar que tudo aquilo é escrito a várias mãos e em diversos contextos, se retirarmos apenas as palavras de Jesus, no modo como ensinou através de palavras e acções poderemos concluir que a diversidade nunca foi um problema para ele, assim como o papel da mulher na sociedade, tal como fala das prostitutas e dos mais pobres, um homem não pode viver sozinho, nem rejeitar a sua condição animal, mas o ser humano pode escolher ser bom ou mau, independentemente do seu género ou condição social.

 

Não acredito que ele valorizasse tanto o seu sofrimento na cruz, que até gostasse de ver isso em cada altar, onde as pessoas vão adorá-lo, acredito sim, que fora da cruz a sua imagem é mais apaziguadora e didáctica, que os braços abertos ao mundo levam a milhares de boas acções, nessas sim acredito, não acredito em confissões e mãos no peito, acredito em mãos estendidas à procura do que pode ser feito para melhorar. O sofrimento nunca deveria ser  adorado nem ter local de adoração, a adoração na alegria e no lugar ao próximo era esse o propósito de Jesus, por mim continuo a vê-lo como o via em criança, um homem que acredita, que sabe que é possível fazer acontecer quando se quer e se luta para isso, em que todos somos diferentes, mas podemos nos tornar apenas Um. 

 

É no Um que está a força, antes ou depois de Cristo é e sempre foi assim. 

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