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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Inverno branco

09.12.20, Alice Alfazema

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Fotografia Daisy Gilardini

 

Era uma vez uma foca branca, tão branca como a alva neve, fofa como os flocos que se amontoaram no velho glaciar meio desfeito, nasceu duma foca cinzenta, que não sabia quem bem quem era o pai da sua cria, eram uma família disfuncional, a mãe saía durante longos períodos para conseguir trazer-lhe algum peixe, e o suposto pai andava por ali a fazer olho grande às outras fêmeas. De vez em quando lá conseguia convencer uma delas. O grau de parentesco entrelaçava-se em cada olhar, ali todos eram meio-irmãos. 

Um dia a mãe deixou de lhe alimentar, apaixonou-se por outro macho que andava por ali a rondar a eira. Era um macho coxo e gordo, de um cinzento caca assustador, com algumas cicatrizes no focinho, mas como o amor é cego, e ele possuía a melhor rocha dos cinquenta metros quadrados mais próximos, os dois juntaram as patas e foram viver juntinhos, ele fez-lhe uma cama com algas e saltou-lhe para cima, foram dois minutos de puro martírio. 

E a foca branca? A foca branca é agora estrela de um reality show, onde mais focas brancas e fofinhas vivem vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas todas juntas, na esperança de fazerem presenças na disco Mar Bravo do Sul.

 

 

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