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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Fruta

20.05.20, Alice Alfazema

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Se há coisa da qual não abdico é de fruta, todos os dias como fruta, gosto de ver as fruteiras cheias dando cor à cozinha, talvez goste menos de maçãs, a que chamo de pêros, para mim maçãs são as reinetas e as riscadinhas, tudo o resto são pêros. Comer fruta é um ritual mundano, que nos trás todo o sabor conseguido pelos raios de sol, acalenta o paladar, tranquiliza uma refeição, é tema de conversa, é prenda de amigos. Quanto melhor a fruta maior é a felicidade ao degustá-la. Gosto de comprá-la nos mercados onde existem pequenos produtores, e de conversar com as pessoas, e de ver o seu orgulho e o seu sorriso enquanto falam da sua fruta: prove, prove a ver se é boa. Falam como quem fala da família ou de alguém que gostam muito. É um carinho que dá gosto ver. E eu quando pego no saco cheio de fruta trago também comigo parte desse carinho. E os morangos sabem-me a Verão, a Sol, e a dias longos cheios de preguiça. Porque a preguiça tem um sabor especial, é aquele descanso que escolhemos, é aquela pausa que sabe bem, é coisa que alegra o corpo e faz bem ao espírito. 

 

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Imagino vales e planícies onde existem sombras frescas ao pé dos riachos, o cheiro a erva seca num fim de dia, o zumbido dos insectos no silêncio de uma tarde já morna. Eu sentada num degrau de pedra já gasta pelo tempo, a pedra já cheia de manchas de sumo doce de uma fruta suculenta e amadurecida pelo tempo. Risos, olhares, silêncios, cheiros, afagos. 

 

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