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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Farol

05.11.17 | Alice Alfazema

 

Ilustração Barry Ross Smith

 

 

Em cima do farol branco.

Um dos meus ouvidos ouve o mar,

sua voz e seu clamor.

 

O mar devolve tudo que não vale,

tudo ruim, ficando com o bom,

com coisas que o enobreça.

O meu ouvido ouve os peixes, as algas,

o tubarão que comeu a perna do pescador.

 

O outro ouvido meu ouve, sente

o vento, que fala bem perto.

O vento emociona, toca, e vai embora,

levando uma parte de mim,

da minha poesia e emoção.

Eu sei que fui com o vento.

 

Os meus olhos escuros misteriosamente ouvem

o cantar dos bem-te-vis e dos pardais defronte.

Eles ouvem, vêem Deus.

 

Os meus olhos claros vêem tudo:

o mar verde-azul, as ondas beijando a praia,

as pedras, os barcos de pescadores brincando.

O vento, perto, movimentando as areias das dunas,

os coqueiros, os pássaros, os montes,

e o sol criança

 

E vê meu amigo abaixo de mim.

Olhando de pé tudo isso, mas da forma dele,

com outro olhar e emoção.

 

 

Poema de Francisco Carlos Machado

 

 

 

Alice Alfazema