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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Entrevista à Dona Alicinha Contina

08.09.16, Alice Alfazema

Com o aproximar galopante do começo deste ano lectivo decidi entrevistar a Dona Alicinha Contina para compreendermos um pouco desse mundo desconhecido que é o mundo das Continas.

 

 Ó Dona Alicinha, diga-nos lá há quanto tempo trabalha como contina?

 

 Eu trabalho para o Ministério da Educação há dez anos.

 

E gosta daquilo que faz?

 

Sim.

 

O que mais gosta no seu trabalho Dona Alicinha?

 

Gosto da pluralidade de tarefas que faço durante o dia, por exemplo tanto posso prestar primeiros socorros como varrer uma sala ou limpar um vómito, posso ainda resolver um conflito existente entre alunos, também já arranquei dentes.

 

E durante o período de férias dos alunos, o que faz?

 

Aí ainda há mais diversidade das funções desempenhadas, este ano por exemplo, houve pintura, costura de cortinados, jardinagem, entre outras.

 

O que faz para cumprir o que é pedido nesta descrição de anuncio de emprego público para contina?

Este exemplo foi retirado da Bolsa de Emprego Público:

Caracterização do Posto de Trabalho:

 

Grau de Complexidade: 1

Remuneração:
2,91 € / Hora

 

Providenciar a limpeza de espaços exteriores e pinturas, trabalhos de jardinagem, manutenção de equipamentos, pequenas reparações elétricas e arrumação de materiais. Cooperar nas atividades que visem a segurança de crianças e jovens na escola. Efetuar, no interior e exterior, tarefas de apoio de modo a permitir o normal funcionamento dos serviços.

 

Primeiro coloco o meu cérebro de complexo 1 a funcionar, como é de complexo 1, nos trabalhos de pintura apenas mexo a tinta que está na lata, na jardinagem julgo que sei distinguir as ervas daninhas das flores, nas pequenas reparações eléctricas sei perfeitamente colocar uma ficha na tomada eléctrica, quando às outras tarefas basta seguir as ordens superiores e tudo fica perfeitamente encaixado no grau de complexo 1.

 

E o que nos diz da renumeração?

 

Muito boa. Tão boa que nunca levei um aumento em dez anos. Afinal é de complexo 1, quem é que pode pedir mais.

 

E sobre o uniforme da continas, o que tem a dizer?

 

É também ele uma pluralidade de padrões, ele há batinhas com riscas, lisas, rotas, descoradas, com folhinhos, com quadradinhos. A minha é rota e às riscas azul e branco. 

 

E sobre a carreira profissional?

 

Em que zona do país fica isso? É na praia ou na serra?

 

Dona Alicinha, devido ao crescente envelhecimento e ao baixo número de continas nas escolas a senhora acha que podem  também estar a sofrer de  síndrome de burnout, tal como os professores?

 

Não, devido ao grau de complexidade 1, o que temos mesmo é falta de vitaminas.

 

Diga-nos lá porque é que gosta do ser contina?

 

Porque é um vicio, primeiro estranha-se depois entranha-se.

 

Como gostaria que fosse o futuro das continas?

 

Visível, como profissional de educação e que o grau de complexidade 1 fosse abolido do mundo das continas.

 

Muito obrigada Dona Alicinha Contina.

 

De nada. Foi um gosto. Espero ter respondido em versão de complexidade 1, assim todos entendem.

 

 

 

Alice Alfazema

 

 

 

 

 

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