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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Em vai e vem

18.01.14, Alice Alfazema

Todos os anos chegam à escola crianças e adolescentes vindos de instituições, são retirados aos pais, às famílias, vários motivos, várias estórias, vários dissabores e desamores. Todos os anos andam em vai e vem. Chegam sem raízes, sem amigos. Muitos chegam com raiva e em desassossego. Ficam por breves meses. Quando as raízes começam a crescer, quando a raiva começa a acalmar partem. Vão a caminho de outra instituição, vão a caminho de outra escola. Carregam assim as suas mágoas e emoções de terra em terra. 

 

São gordos, magros, baixos ou altos,  pretos ou brancos, ou de outra cor qualquer. Têm doenças. Sorriem. Entretanto desaparecem e é aí que dou por falta deles. Poucas despedidas. Desaparecem a meio do ano, como quem apaga o que ficou escrito no giz do quadro. Não interessa se foi um sucesso, o que conta é o tempo estipulado para a estadia em cada instituição, são números, apenas números. Não há emoções apenas números, que se escrevem em relatórios pomposos com escrita relevante ao assunto em questão.

 

 

Alice Alfazema

 

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