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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

E tu reconheces o teu vizinho?

03.08.21, Alice Alfazema

No local onde moro há muito tempo, e apesar dos anos que por lá habito conheço pouco os meus vizinhos, desconheço as suas profissões, idades, gostos, as conversas que possa manter são quase sempre de cortesia. Da maior parte nem sei o nome, o meu marido reconhece os vizinhos pelo carro, eu nem isso. 

Num destes dias, levantei-me mais cedo e fui comprar o pão, são carcaças frescas e estaladiças, um mimo. Passei pelas grandes árvores ainda meio ensonada, nos olhos parecia que levava um grão de areia. No estabelecimento onde compro o pão, o cheiro do café inundava o espaço, serviu assim para me despertar. Lá dentro ouviam-se algumas conversas animadas.  Senti saudades de outras conversas começadas pela manhã.

Quando saí da loja a minha visão estava quase recuperada. Voltei pelo mesmo caminho, entretanto, algumas janelas iam sendo abertas, à medida que as gentes acordavam. Olho para uma delas, o vidro está aberto e o cortinado está desviado, um corpo nu de mulher no lado de dentro levanta a persiana, pára à altura do pescoço, fico sem ver o rosto, mas fixo a mama que ficou à espreita. Não reconheço o rosto da vizinha, não me ficou na memória, apesar de a ter visto várias vezes, no entanto, era capaz de jurar que reconheço-lhe a mama. 

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