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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

É Natal outra vez

24.12.18, Alice Alfazema

 

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Roubei esta fotografia à miúda. Não me dei ao trabalho de fotografar, os olhos dela trazem aquilo que vejo. 

 

Antigamente quando eu era miúda via o Natal em tons de azul bébé, para mim o Natal vinha com essa cor, a festa era sobre um nascimento de um bébé, um menino, depois havia a surpresa das prendas, que chegavam apenas após o nascimento do Menino, na manhã de Natal. Era uma sensação suave e boa, como se aquele bébé fosse de toda a gente. Tínhamos toda a gente, avós, tios, primos, irmãos, depois veio a vida e levou muitos deles, quase todos.

 

A casa ficou vazia e o meu Natal mudou de cor. Passei a ver o Natal com a cor vermelha, era a cor que dava alegria ao Natal, não a festa em si, mas a cor. É uma cor forte, alegre, da cor do sangue, mas o sangue por vezes também é triste, pode ser a cor da perda, no entanto a cor vermelha alegra e nos dá energia, traz movimento, é uma forma de nos transportar para outros sentidos. 

 

Hoje vejo o Natal com outra cor, vejo o Natal verde, daquele verde que podemos ver por aí nas bermas das estradas, aquele verde que brota da terra com a força do nascimento da erva fresca e bravia, que cresce onde quer, e se veste de orvalho à luz da manhã, encanta-me percorrer os caminhos desse verde.

 

Nesta véspera de Natal,  fui ver o Rio, a Serra e a árvore de Natal, aquela que está lá em cima, o Rio estava sereno e lindo como sempre, andava gente a caminhar na sua margem, uma gaivota gritou na beira da praia, um homem num bote percorria as suas águas, havia uma calmaria entre o azul e o verde da Serra que me trouxeram paz e me iluminaram por dentro, uma luz que não sou capaz de descrever em palavras.

 

Fui ver então a árvore luminosa, à luz do dia é apenas uma armação, sem encanto nem beleza, branca e sem ninguém, só ali no meio da avenida, como se não existisse. A solidão.

 

E o Natal é isto: luz e solidão. É o que podemos ser e aquilo que somos. A forma como nascemos, as nossas escolhas e as escolhas dos outros. Podemos estar sós porque queremos ou porque a vida nos levou a isso, mas há sempre uma forma de renascer, basta escolhermos a Luz. E a luz existe por todo o lado, não tem dono, é livre, é imensa, é aquilo que nos faz respirar, que nos cativa, é a serra e o mar, o sol e a lua, as cores da natureza, o frio e o vento, o calor e a chuva, a luz é aquilo que tem a capacidade de nos fazer renascer a cada dia, seja ele Natal ou um outro dia qualquer.

 

 

Feliz Natal! Que a luz esteja sempre convosco. 

 

 

 

 

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