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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

#diariodagratidao 31-12-2019

Balanço

31.12.19, Alice Alfazema

balanço.jpg

 

Ilustração Florencia Denis

 

Hoje é o último dia do ano, num diário da gratidão que não cumpri escrupulosamente aqui neste espaço, no entanto é tempo de terminá-lo. Junto então o postal que mais gostei de escrever, de entre muitos, porque para mim a palavra mais importante continua a ser Liberdade.

 

Escrevo este texto no dia 20 de Outubro de 2019, é Domingo e está sol, ontem foi um dia de chuva intensa. Hoje o dia amanheceu luminoso, manso e fresco, levantei-me e tomei o pequeno-almoço em casa, nada de especial, pão com queijo-fresco de ovelha e um sumo de frutos vermelhos. Fomos depois beber um café à beira-rio.

 

Estou agora em frente ao rio, num sítio tranquilo e cheio de árvores, sento-me enquanto bebo o meu café, à minha frente o rio brilha, com aquele brilho de felicidade, algumas pessoas andam a remar em pequenos barcos ou nas pranchas praticando desporto e usufruindo daquele espaço, na praia um homem enche baldes grandes com água do rio e carrega-os para dentro duma carrinha, uma mulher corre atrás do cão, as gaivotas assistem impávidas e serenas, um outro homem tira água de dentro de um bote, prepara-se para ir para a pesca, a esplanada vai-se enchendo de gente.  Todos falam baixo, consigo ouvir as folhas secas a baloiçar com o vento. 

 

Vejo, então o verde da Serra, as árvores e as rochas cravadas naquela terra vermelha, ao longe uma curva com a cidade, o rio que brilha intensamente, sinto em mim todo aquele fluir, o azul das ondas, a maré vazia, a terra vermelha, o céu límpido, a outra margem do rio, as gaivotas que voam, o motor do barco, o sabor do café misturado com o açúcar, as pessoas que falam tranquilamente. A paz da manhã. 

 

Sou então uma privilegiada, que aprecia o rio e o espaço à minha volta, sem medos, nem fome, nem guerra, podendo estar, sem pensar em ir - isso é Liberdade. 

 

 

 

Escrito a convite da MJ, em Liberdade aos 42

 

Estarmos gratos é fundamental para conhecermos o sentido e o valor da nossa existência. Hoje estou grata por estar aqui a escrever neste final de ano.

 

 

 

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