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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

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Diário dos meus pensamentos (8)

Um dia quase normal

27.03.20, Alice Alfazema

Hoje foi um dia quase normal, levantei-me e fui ao pão, de seguida passei o Ginjas, comi o pequeno-almoço e bebi um café enquanto me actualizava nas notícias. Preparei o meu lanche almoçarado para levar para o trabalho, meti uma máscara dentro da sacola, um frasco de álcool gel, lenços de papel. 

 

Saí para a rua e o sol resplandecia, estava fresco, fui ver como estava a minha varanda, ainda não tinha apreciado o que tinha feito ontem. Gostei, está como o imaginei, simples mas intenso. Não fiz um arco-íris. Fiz antes um girassol com um pé de riscas coloridas e dois corações. Espero que entendam o significado desta flor. Continuei e fui apanhar o autocarro.

 

Ia pouca gente no autocarro,  todos com semblante triste, os vidros estavam abertos e uma fita vermelha e branca separava o espaço do motorista dos restantes. Chegando à minha paragem levantei-me e acenei ao motorista, conhece-o há muito tempo. Chama-se João. Ele devolveu-me o cumprimento fazendo um aceno com a cabeça através do espelho. Desci e retirei o frasco do álcool, desinfectei as mãos. 

 

Atravessei a estrada, quase não havia trânsito, nas bermas as papoilas tinham um vermelho intenso, não me lembro de ver aqui destas com um  vermelho tão garrido. Pensei, a Natureza é tão inteligente, dá-nos vivas com estas cores, são lições de ânimo.  

 

Entrei na escola e fomos abrir o espaço, arejar, limpar, estava tudo tão calmo, fui dar uma volta pelo recinto, regar os canteiros, ver se estava tudo bem. Na horta os legumes cresciam a seu belo prazer, um casal de melros estava a comer as alfaces, os caracóis fizeram uma festa nas couves e as favas estavam cheias de piolhos, os brócolos estavam amarelados e as ervilhas eram apenas umas ervas recém-nascidas. 

 

Contornei os blocos de salas, um gato gordo e simpático veio ter comigo, estivemos à conversa, no meio das ervas que já estavam altas apareciam os tocos das grandes árvores que cortaram há cerca de dois anos, fui contá-las para ter a certeza, eram quatro, gigantes deitados a baixo, explicação: durante o ano num período aproximado de duas semanas deitavam sementes que pareciam algodão, muitas vozes reclamavam que lhes faziam alergia e cortaram-lhes o cepo. A mim acusaram-me de defensora de árvores. Depois vieram plantar umas novas com pompa e circunstância, mas nada vingou. 

 

 

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