Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Depois do vidro

06.04.20, Alice Alfazema

janela.jpg

 

Ilustração Jilly Ballantyne

 

Demoro
a fechar janelas
porque me dói
a vida entre dentro e fora.

Meu gesto lento
sem antes nem depois,
desconhece se abre ou se fecha a janela de uma outra janela.

Sem longe nem perto,
entre sombra e além,
na casa onde o meu corpo começa,
sou eu mesmo a terra que contemplo.
Depois do vidro,
perdida da sua própria imagem,
a paisagem ainda mora toda em mim
E eu, já, nela.

 

 

Poema Mia Couto, in Tradutor de Chuvas