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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversa com a chuva

07.04.19, Alice Alfazema

 

Ilustração Alexi Torres

 

Assim mesmo
eu cá em baixo fico fascinado com a tua luz
e admirado como consegues ter essa voz grossa
que se ouve a quilómetros e quilómetros
de distância. Mas nunca tenho medo
porque sei que não estás zangada
e lembro-me que por vezes
dentro do meu corpo há um barulho assim
quando as vísceras andam às voltas porque
também eu comi mais do que devia.

 

 

E quando acabas
os rios estão mais cheios e levam
os barcos mais depressa
os peixes saltam a medir forças com a corrente
e transbordam as albufeiras das barragens
com a tua água
que irá produzir energia eléctrica
uma espécie de relâmpago que entra depois
nas nossas casas
sem nenhum barulho
e dura todo o tempo que quisermos.

 

 

Poema de Joaquim Pessoa

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