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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Começar do zero

28.04.19, Alice Alfazema

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Ilustração  Nguyen Thanh Nhan

 

Já perdi a conta às vezes que comecei do zero, das vezes que pensei que amanhã iria ser um outro dia. De quando alguém morreu e tive de começar do zero, para saber viver sem essa pessoa. De quando fiquei sem emprego e tive de começar de novo, reinventar-me. De tantas outras coisas.

 

De quando fui mãe e deixei de ser apenas eu e comecei do zero numa outra pessoa. De quando tenho de ceder e pensar a partir do zero, começar, acabar, deixar, andar. Andar em círculos através dos anos, num zero sem saída. 

 

Ouvir um música pela primeira vez, comer algo que nunca provei, ver aquilo que nunca imaginei. Zero positivo, zero negativo, zero de nada.

 

A borracha que apaga o zero, o zero que se constrói, o eterno circulo que caminha numa linha demasiado curva. As pessoas que me ofereceram zero e das conversas que me  fizeram ir ao zero ou me sentir um zero.

 

Às vezes um zero é muito, noutras é pouco e há aquelas em que é nada.

 

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