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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Chama rosa

05.11.20, Alice Alfazema

Chovia pausadamente, havia vento e estávamos no final da tarde. Já é Novembro e escurece rápido. As pessoas entravam e saíam rápidas do supermercado, andando em passos de corrida para chegarem aos carros sem molharem as compras. Estou ali dentro do meu carro a observar aquela azáfama. Chega um homem com um saco, abre o porta bagagem do carro e mete lá dentro as compras, o homem fica a olhar para trás, à espera, pouco depois chega uma mulher e um miúdo, o miúdo entra no carro, a mulher coloca outros sacos dentro do carro, o homem continua na rua, do lado contrário do volante, à espera da mulher, ela aproxima-se dele e coquete inclina a cabeça, num gesto de pura espontaneidade ele dá-lhe um beijo na boca, ela parece ficar feliz, julgo que vi um saltinho de contentamento. Nenhum dos dois parece ter dado pela máscara que tinham na cara. Sinto que de repente todo o escuro desapareceu e uma chama se agigantou por breves instantes iluminando-os. 

 

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