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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Chá de violetas (1)

Carolina

21.04.20, Alice Alfazema

chá de violetas.jpg

 

Esta chávena pertenceu à minha avó Carolina, é de porcelana levíssima, tão leve que quando a levantamos  temos de estar a olhar para ela para não perder a sensação daquilo que se tem na mão, hoje e pela primeira vez bebi um chá nela, não sei se alguma vez teria sido usada, talvez nalguma visita que a minha avó tenha recebido, quem sabe se não foi a da sua amiga de longa data a Rosalina, a Ti Rosalina de Olhão, loira de pele clara e com as faces coradas, sempre bem disposta, que nos trazia figos acomodados em cestos que eram feitos à mão, amêndoas doces e macias, que descascávamos no quintal com o martelo de sapateiro, e ameijoas e carcanhóis da ria, e galinhas de figo e bolos de amêndoa. Eram trocas de afectos, mimos, coisas do coração e da amizade, ao regresso levava um cesto de maçã riscadinha, naperons para a cozinha e para os quartos, um saco do pão feito em linha de algodão branco e fino, tudo coisas feitas nas tardes de ócio no degrau da porta de casa, daquela rua tão especial. 

2 comentários

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    Alice Alfazema

    22.04.20

    É um outro ritual beber o chá em chávena fina, a calma que é necessária para termos cuidado em não estragar a porcelana e que nos convida à reflexão. É um bom investimento.

    Beijinhos
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