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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Caminhos

Trás-os-Montes

26.10.20, Alice Alfazema

outono.jpg

Fotografia de Pedro Rego

 

Precisamos de mais caminhos assim. De muitos caminhos como este. Eu gostava de ter um caminho destes só para mim. Onde eu pudesse andar sem encontrar ninguém, ouvir apenas as vozes dos pássaros, o murmulhar da água escondida entre as rochas, e o silêncio de entre os ramos.

Imagino-me assim a caminhar em direcção a um outro tempo, a cada passo dado, uma maior proximidade em alcançar o passado e de me envolver numa outra época, vejo-me então vestida com uma capa de veludo macio e preto, que arrasta levemente pelo chão, alguma folhagem agarra-se ao debruado da bainha, dando um ar de renda louca. Tenho os cabelos ruivos até mais de metade das costas, numa trança pesada, com uma fita de ceda azul escura a terminar a ponta. A trança balança à medida em que avanço a passos largos para o tronco mais velho da floresta, adoro aquela árvore, às vezes durmo dentro dela, o seu tronco é tão grande que me deito ao comprido sem nenhum esforço. Na minha mão esquerda seguro a pedra verde que retirei do riacho que vai para sul. Fiz dela o meu amuleto mais querido.    

 

 

 

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