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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Baralho de cartas

20.10.20, Alice Alfazema

cartas.JPG

Ilustração  Alexej Ravski

 

Quando o teu corpo oscila no meu
Quando é já carne o que era só céu
Quando o amor se entrega durante
E o teu suor é meu num instante
 
 
Eu planto as palmas nos teus quadris
A morte é menos do que eu sempre quis
Eu pouso as mãos no teu abandono
Depois das horas há de haver o sono
 
 
Baralho as cartas com que jogar
Encontro o amor em qualquer lugar
Em qualquer poiso pouso a cabeça
Seja assim tudo o que eu mais mereça
Baralho as cartas com que jogar
Encontro o amor em qualquer lugar
Em qualquer poiso pouso a cabeça
Seja assim tudo o que eu mais mereça
 
 
Subi às nuvens no teu prazer
Desci à terra ao amanhecer
Eu bem dizia que ia haver um dantes
Em que o amor para em terras distantes
 
 
Quando as tuas ancas suspendem assim
Eu vou ainda de onde já vim
Por entre as ondas do calor de verão
O teu coração e o teu peito na mão
 
 
Baralho as cartas, sei que escolho bem
Talvez por sorte ou por tacto também
Quando me engano regresso ao início
Estaco na berma do precipício
Baralho as cartas, sei que escolho bem
Talvez por sorte ou por tacto também
Quando me engano regresso ao início
Estaco na berma do precipício
 
 
Poema de Sérgio Godinho
 

 

 

 

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