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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Às vezes é preciso

22.09.18 | Alice Alfazema

 

 

Ilustração Wayne Anderson 

 

 

Por vezes vivemos assim, crescemos, e habituamo-nos aos lugares, às coisas e às pessoas, temos medo de mudar, ou temos saudades daquilo que fomos. Chega então um tempo em que o espaço já não existe, há apenas um corpo moldado à rotina, apertado no espaço e na mente. Um corpo que anseia por novas experiências. Um corpo que sabe que o tempo se encurta a cada dia que passa. 

 

Às vezes é preciso ficar muito mal e deixar de se importar com o que nos rodeia para conseguirmos reagir. Sentir a raiva de partir esse vidro que nos aprisiona. E descobrir um novo mundo que está - que esteve desde sempre - à nossa espera. 

 

Aprisionados desde sempre é difícil de recomeçar,  perdemos assim a noção da liberdade das nossa ideias, da vontade de poder decidir e de ter opinião. Somos uma plasticina já muito usada e temos medo daquilo que desconhecemos. O nosso pequeno mundo é o melhor que sabemos existir. Mas é tão apertado estar aqui. 

 

O nascimento é assim, algo doloroso, sair de um mundo que pensamos confortável para o desconhecido, no entanto é necessário fazê-lo, obrigatório até, é viver ou morrer.