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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

As palavras de Luísa Dacosta

16.02.15 | Alice Alfazema

 

 

Vou deixar aqui estas palavras, para que não morram, para que sejam levadas e compreendidas, para que as vozes de fêmea se oiçam e as suas perspectivas sejam relacionadas com o socialmente imposto nesta sociedade, ainda, machista. 

 

Lamento sair desta vida bastante desiludida. Por exemplo, em relação à alegria com que festejei o fim da II Guerra, a pensar que nunca mais havia guerras, e que vinha aí a solidariedade, a democracia e a liberdade para todos. Mas não. Estamos num mundo criminoso em que 70 por cento da população mundial não tem acesso à água, à comida, à saúde, à educação. Sobretudo, incomoda-me partir com a certeza de que a parte mais esmagada deste mundo é a mulher. Isso dói-me.

As palavras são sementes. São valiosas, provocam e despertam reacções, movimentam mentes.

 

Tenho uma grande admiração pela figura de Cristo, que acho uma figura extraordinária, muito interessante. Normalmente as religiões estão ligadas a aspectos políticos, mas a figura de Cristo não está. É uma figura independente do social e do político. É uma doutrina puramente espiritual. Há uma grande capacidade de dádiva e perdão, que é o que me interessa mais. A igreja não me interessa nada. A igreja, com Constantino, tornou-se uma religião de Estado, o que é um crime. Uma religião de Estado é uma coisa aberrante.

Aquilo que fazemos interessa. Olhar o outro, despertar para um mundo melhor, acreditar. Tantas vezes desperdiçamos a nossa energia naquilo que nos torna tristes, tantas que poderíamos transformar isso numa força de impulso positivo. 

 

A vida ensinou-me que não podemos viver sozinhos. Ensinou-me que não podemos viver sem o bafo humano e que devemos fazer tudo para lutar por isso.

Devemos aproveitar as palavras e com elas bailar. Acreditar não é uma coisa lamechas, acreditar é poder transformar.

 

Texto retirado do Jornal Expresso.

 

Alice Alfazema

 

 

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