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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

As janelas são lugares mágicos?

05.04.18 | Alice Alfazema

 

 

Serão as janelas lugares mágicos que transformam a vida? À janela a solidão transforma-se. A pessoa que está só junta-se aos que passam, rodeia-se de vozes e de sons da natureza, vê para além da parede e do cortinado, a uns escassos metros estaria completamente ignorada, ali naquele espaço é vista e às vezes reconhecida. 

 

À janela colocamos a nossa roupa, as nossas plantas que gostamos tanto, deixamos que o sol entre por esses buracos esculpidos na parede. Muitas vezes a janela é um elo entre o dia e a noite, mal nos apercebemos das horas que passam, então a janela chama-nos à razão do tempo que passa. 

 

O que pensamos quando estamos à janela são pensamentos dos quais nos podemos ou queremos distanciar? Ou seja, são aqueles pensamentos que não gostaríamos de ter dentro de nossa casa? São aqueles que tivemos no trabalho? Ou são o que queremos para o futuro? Ou para os nossos? São também o que pensamos sobre o mundo? 

 

Serão então diferentes as pessoas que ficam à janela durante a noite das pessoas que estão lá durante o dia?

 

A janela é uma projecção de nós? Daquilo que fazemos e somos? Vejo janelas tão bonitas, cuidadas, e outras quase ao abandono. Será que nessas janelas feias se podem ter pensamentos bonitos? E nas bonitas haverão pensamentos sombrios?

 

Há quem tenha de tudo um pouco na janela, uma planta linda, florida e cheia de cor, um cortinado sem cor, velho e desgastado, um cheiro a mofo e há quem tenha um espaço sem flores e uns cortinados de seda, um recanto perfumado, um lugar tranquilo, ou barulhento, no entanto o que importa é aquilo que trazemos até à janela o que vem connosco e dentro de nós. 

 

 

 

Alice Alfazema