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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Antes que os figos se acabem

03.09.20, Alice Alfazema

tarte de figos.jpg

 

Antes que os figos se acabem, e com eles o gosto fugaz do Verão. Comerei o seu doce sabor, meloso e suave que  me deixa os dedos pegajosos. O figo sereno, figo maduro, figo seco. Onde se escondem os amores fatais das vespas. Amores intensos e mortais em dias de muito calor. Comemos assim o Amor, escorrido na nossa saliva, degustado num entardecer ao canto intenso das cigarras. Então, na ponta dos nossos dedos abrimos aquele tesouro único e irrecuperável, vemo-lo apenas uma única vez intacto. Milhões de formigas fazem carreiros, caminhando sem cessar. No meio a sensação do tempo que ficou parado e no ar o cheiro das folhas lisas da figueira, resistentes ao calor, são de verde claro, ou então de verde figo.  

 

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