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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alicinha Digital Influencer Classe A(zelha)

08.09.18 | Alice Alfazema

 

 

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 Ilustração Sasha Ivoylova

 

 

Parece que há por aí uma grande polémica no mundo digital sobre conteúdos pagos e não pagos, ou seja, quando são pagos devem dizer que são pagos, que o produto é bom e coisa e tal, mas é pago, ninguém vai dizer que é mau senão não lhe pagam, verdade? Mas no fundo aquilo até é bom, então contribui para as contas ao final do mês não deveria de ser bom?

 

Outros são pagos para dizer mal de outras marcas, grande novidade, já a minha mãe me dizia para eu pensar por mim, sempre por mim e não pela cabeça dos outros. O que deixou de haver, ou está à beira da extinção é pensamento crítico, reflexão, percepção daquilo que está certo e do que está errado.  

 

Entretanto, parece haver assim um acordar geral, de muitas cabecinhas pensadoras em que se fez um clique, é pá isto é mentira, aquela malta está a ser paga para dizer o que alguém pagou para falar, seja aquilo que for, até atitudes se compram. Só não entendes se não usares o cérebro, básico! Usa-o!

 

Antigamente tínhamos apenas um mundo físico, a observação era certamente mais fácil, chegarmos a conclusões seria assim uma tarefa menos trabalhosa, apesar de termos de afastar certas pessoas para chegarmos à finalidade da pesquisa, ou seja, afastávamos os bisbilhoteiros, os ciumentos, os falsos, os manipuladores e ao fim de um tempo a coisa dava-se.

 

Agora neste momento é muito mais difícil, temos dois mundos, o físico e o digital, sendo que o digital é mais abrangente, não o consegues controlar, por mais que queiras, quem de nós não conhece uma pessoa que é uma coisa num mundo e outra no outro?

 

O problema não são os outros, o problema é cada um não pensar por si, é não distinguir e não estar atento: é ser superficial na avaliação dos outros. Assim imaginemos uma fotografia de alguém que conhecemos na vida real, sabemos que aquilo é irreal, que ela até tem muito mais rugas e está mais gorda, mas a fotografia mostra uma elegância e uma pele de pêssego, e sabemos também que a fotografia de abraçadinhos foi tirada depois de uma valente briga, que continuou depois da foto tirada, sabemos isto tudo, mas acreditamos apenas naquilo que vemos, como se houvesse uma névoa que escurecesse o pensamento.

 

O pensamento escurecido é coisa grave, e estamos provavelmente a entrar nessa era obscura onde o questionamento é coisa dos clássicos porque agora as ciências exactas é que estão a dar. Vamos entretanto chamando de conteúdo àquilo que falamos e ao que pensamos, e até ao que vemos. É o conteúdo do programa, é o conteúdo da revista, é o conteúdo disto e daquilo. Conteúdo faz-me sempre lembrar o que vai dentro de um saco de plástico, pode ir um quilo de batatas e um de cenouras, mais umas quantas coisas dependendo do tamanho do saco e da necessidade do dono do saco. 

 

Bons conteúdos!

 

 

 

Alicinha, Digital Influencer Classe A

 

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