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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Aleluia

19.04.14, Alice Alfazema

 

Madalena
Quedaram, frio o sangue, as mulheres chorosas, 
Sem cor, sem voz, de espanto e medo. E, de repente, 
Caíram-lhes das mãos as ânforas piedosas 
De bálsamo odoroso e de óleo recedente. 
 
Enfeitiçou-se o chão de um perfume dormente, 
E o arredor trescalou de essências capitosas, 
Como se a terra toda abrisse o seio, e o ambiente 
Se enchesse da jasmins, de nardos e de rosas. 
 
E Madalena, muda, ao pé da sepultura, 
Tonta da exalação dos cheiros, em delírio, 
Viu que uma forma, no ar, divinamente bela, 
 
Vivo eflúvio, vapor fragrante, alva figura, 
Aroma corporal, pairava... 
como um lírio, 
Num sorriso, Jesus fulgia diante dela. 


Olavo Bilac
Alice Alfazema

 

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