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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A taberna

06.05.17 | Alice Alfazema

 

 

Quando eu era miúda morava por cima dum  Wine Bars. Assomava-me à  varanda para ver os bêbados passarem, uns cantavam, outros gritavam, os mais trágicos vomitavam. Os ziguezagues eram uma delicia, e eu sempre na expectativa do primeiro tombo, mas eles aguentavam, eram marinheiros valentes, cavalgavam as ondas do álcool como quem faz surf. Por vezes as mulheres iam buscá-los ao Wine Bars, era uma tarefa difícil, demorada, agitada e cambaleante.

 

Entre o tinto e o branco haviam cartadas e discussões sobre futebol e gajas boas. O Wine era retirado directamente da pipa para o copo, quem queria uma litrada levava a garrafa de vidro e era só encher. Para mim entrar no Wine Bars era uma tarefa penosa, mas tinha que ser e o que tem de ser tem muita força. Houve um dia em que fui buscar uma litrada, cheguei rapidamente ao balcão e queria sair ainda mais depressa do que entrei. Lembrava-me que havia vinho branco, mas não me lembrava qual a designação do outro, então disparei: Bom-dia! Quero um litro de vinho preto...Pronto aquilo ficou para todo o sempre. Ainda hoje estou traumatizada. 

 

 

Alice Alfazema

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