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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A primeira metade de 2020

20/20

28.05.20, Alice Alfazema

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Ilustração Virginie Cognet

 

Lembro-me de no principio do ano ter dividido o ano em 20/20. 20/20, são duas metades aparentemente iguais, brevemente esta metade estará completa, o tempo voa, apesar de termos dito que os dias pareciam todos iguais, e o tempo os levou, da mesma forma que leva os dias diferentes, o tempo que rodopia a cada ano, e há quem diga que depois de uma certa idade ainda passa mais rápido, não sei se será verdade. 

 

No entanto, sabemos que estas duas metades são muito diferentes, na segunda jamais seremos os mesmos da primeira, mesmo que os dias voltem a parecer iguais, nunca voltaremos a ser quem éramos, foi como se saltássemos para um futuro inventado, onde fomos obrigados a viver sentimentos que não queríamos, a ver imagens que duvidámos, onde a miséria surgiu, emergindo devagar como uma borbulha que estava camuflada com maquilhagem. A tomada de consciência. 

 

E os pássaros cantaram, e fizeram os seus ninhos descontraídos, e os peixes exploraram outras águas, as plantas cresceram coloridas, muitos outros animais puderam explorar outros locais, enquanto estávamos com os nossos dias iguais. Ficou provado que podemos mudar, que nada é impossível, ficou provado que a imaginação é o melhor aliado dos dias iguais, e que as Artes são  disciplinas nobres, mesmo que voltem a dizer o contrário. Ficou provado que não se muda a forma de como exploramos o planeta, nem a forma de conviver com todos os seres que nele habitam porque não queremos! Ficou provado que é possível viver bem com pouco e sermos solidários com o próximo e nos surpreendermos a cada dia que é isso o que realmente importa. 

 

Enquanto o tempo voava e os dias pareciam todos iguais, vimos aquilo que nos trouxe maior alegria, mas também sentimos na pele a dificuldade do que é estarmos presos, mesmo sem guerra, vivemos um terror invisível, o medo da incerteza da nossa própria vida, aquele medo que deveria de ser erradicado de todos os povos. Fazer, ter e crer num mundo melhor no entanto ainda continua a ser motivo de achincalhamento por muitos, a necessidade de explorar para ganhar mais e mais é ainda, o lado mais curto para o sucesso, sucesso esse que é aplaudido em larga maioria. Enquanto esse sucesso continuar a ser o exemplo mais escolhido para aplaudirmos o modo de sociedade que queremos vamos continuar a ter os dias sempre iguais, o tempo sempre a voar, e a miséria a explodir em todas as direcções.  

 

 

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