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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A miúda das bochechas cor-de-rosa

03.11.14, Alice Alfazema

Ilustração Aurélie Blanz

 

A miúda tem voz de desenho animado, faz covinhas na cara quando ri, nunca larga o telemóvel, e o seu nome é nome de flor. É miudinha, com rosetas nas bochechas, tem sempre amigos por perto, preocupam-se com ela, tem uma amiguinha que nunca sai da sua beira, passam os intervalos sempre juntas, sempre falando e rindo. A miúda na sua cadeira de rodas rosa, com rodinhas de luzes é transportada com um enorme carinho. A mãe, da menina com nome de flor,  tem sempre um sorriso, um bom dia dito de forma alegre. Há algo de mágico na relação entre as duas. A flor, tem uma saúde frágil, uns ossos que se partem com um sopro, o que talvez tenha acontecido hoje, mas ela mantêm o sorriso e diz que talvez tenha o braço partido, e fala sem chorar, habituada à dor. Eu fico ali a olhar, sinto vontade de a abraçar, faço-lhe um carinho na bochecha colorida, ela dá-me um leve sorriso. Fico ali naquele momento perdida nos meus pensamentos, a pensar que as minhas grandes tristezas não valem nada perto daquilo que vejo, sinto-me pequenina diante daquela miúda tão forte e sorridente, com voz de desenho animado que alegra este átrio.

 

Alice Alfazema

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