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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A minha filha

25.05.18, Alice Alfazema

 

Ilustração  Olesya Serzhantova

 

Olhei para a miúda gira em que se tinha tornado. Mantinha o mesmo sorriso de sempre, grande e aberto ao mundo. Aquele ser tinha saído de dentro de mim, serena e chorona ao mesmo tempo, molengona e simpática, organizada e persistente, com um sentido crítico muito apurado, uma visão do mundo muito humanista e ecologista. Moderna e vaidosa, cuidadosa, prática e amiga.

 

Olhei para ela ali naquele palco e encantei-me com aquele som que vinha de toda a orquestra, juntos eram uno, e o meu coração cresceu e foi até lá, deu-lhe um beijinho devagarinho, e voltou a ficar pequenininho, e grande outra vez. E quando estou neste estado vejo todas as cenas que já vivemos e imagino as que vamos viver. Comprei-lhe uma blusa linda, vaporosa, com botõezinhos de punho e manga esvoaçante, sei que vai combinar com a leveza da flauta transversal e eu vou estar lá, daqui a nada, para lhe bater muitas palmas.  

 

 

 

Alice Alfazema

 

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