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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A chuva é uma coisa vulgar?

04.02.17, Alice Alfazema

Ilustração Hajin Bae

 

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudade
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

 


Há gente que fica na história
Da história da gente
E outras de quem nem o nome
Lembramos ouvir


Ilustração  Roman Muradov

 


São emoções que dão vida
À saudade que trago
Aquelas que tive contigo
E acabei por perder


Há dias que marcam a alma
E a vida da gente
E aquele em que tu me deixaste
Não posso esquecer


Ilustração Anton Yakutovych

 



A chuva molhava – me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai, meu choro de moça perdida
Gritava à cidade
Que o fogo do amor sob a chuva
Há instantes morrera


A chuva ouviu e calou
Meu segredo à cidade e eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

 

 

Poema de (clique para ouvir) Jorge Fernando

 

 

 

 

Alice Alfazema

 

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