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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A cada luz o seu dia

26
Nov21

 

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A mulher sentou-se sobre um pedaço polido de pedra da Arrábida, o frio gélido paira no ar, atingindo todos os ossos do seu velho corpo,  vê que os brilhos de festa foram colocados nos braços das árvores, parece-lhe de longe um brilho já gasto, um fim de vida anunciado, como se a alegria já não soubesse o caminho para o seu coração, vagueia então pelos momentos tão amarelecidos do seu passado, procurando os risos que teima em não querer esquecer, quisera ela agarra-los e metê-los no bolso, para tê-los sempre à mão. Parece que pouco lhe resta, as luzes vão-se apagando lentamente, fundindo-se uma a uma à medida da passagem dos dias, até nada mais restar, deixando apenas a escuridão repleta de ecos que mais ninguém lembrará.

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