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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A arquitetura

02.11.20, Alice Alfazema

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Ilustração Elia Barbieri

 

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até refechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

 

Poema de João Cabral  de Melo Neto

 

Como podemos arquitectar os nossos dias e as imensas horas vagas, destes tempos conturbados de novos medos e de ameaças invisíveis? Empilhamos na horizontal? Encafuamos numa cave? Fazemos uma ponte? Umas escadas? Um pátio?...

 

 

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