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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

À pesca

21.07.20, Alice Alfazema
  Ilustração  Laura Lhuillier     Enquanto eu fiquei alegre, permaneceram um bule azul com um descascado no bico, uma garrafa de pimenta pelo meio, um latido e um céu limpidíssimo com recém-feitas estrelas. Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios, constituindo o mundo pra mim, anteparo para o que foi um acometimento: súbito é bom ter um corpo pra rir e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser.     Poema de Adélia Prado   O que (...)

Diário dos meus pensamentos (50)

Marcas

08.05.20, Alice Alfazema
Ilustração Vrigit Smith    Neste diário não existe o dia 49, porque também há os dias de "algum dia" ou  de" qualquer dia", são aqueles dias que não têm lugar no calendário, mas que pensamos neles pelas mais diversas razões, são sempre dias de futuro, mas que ficam muitas vezes no passado, quer porque deixámos de ter tempo, coragem,  ou oportunidade de vivê-los. É bom termos a consciência que em cada dia temos um tempo novo, sempre por estrear mesmo que pareça igual. (...)

Todo o mundo é composto de mudança

05.03.20, Alice Alfazema
  Ilustração Sarah Joncas     Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz (...)

Somatório

31.01.20, Alice Alfazema
  Há momentos da nossa vida em que nos questionamos sobre tudo. E em que as respostas parecem não existir ou pelo menos que nos satisfaçam, como se as respostas se direccionassem para outras perguntas, coisas das quais não queremos saber. É um questionário cíclico a que toda a gente se submete de livre vontade ou não.     Não queremos saber dos somatórios, numa aversão cega da verdade ou da conclusão. Empurra-se com a barriga o que se leva nas mãos ou na cabeça. (...)