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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Dia Mundial "Meio" Ambiente

ao meio

05
Jun21

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Aqui na bola azul, as questões ambientais são na maior parte das vezes levadas a meio, no meio e pelo meio. Neste dias comemorativos exige fazermos uma reflexão sobre o nosso meio. Há demasiado tempo que estas questões passam ao lado das agências noticiosas, do poder local, e nas andanças políticas globais. No quotidiano apresenta-se como assunto de menor importância, sendo até que os activistas ambientais são por vezes ostracizados publicamente, sem que isso tenha qualquer relevância. 

Pelo nosso país, apregoam-se e crescem as plantações fotovoltaicas, derrubam-se árvores de grande porte, incentiva-se monetariamente o cultivo intensivo e o monocultivo, dando azo a uma grande perda de biodiversidade, alisam-se os terrenos a bel-prazer para a preparação de tais culturas arrasando com ribeiras, charcos, sapais e toda a vida envolvente em tais ecossistemas, em nome de uma suposta economia e progresso. Nas cidades, diminuem-se os jardins, os bosques são reduzidos a rotundas e a estacionamentos estéreis de alcatrão, as podas de rolão são agora uma moda permanente, assim como o consequente abate de árvores e depois a continua plantação de outras para futuro comprovativo de obra feita e representatividade no orçamento gasto, vai daí mais umas fotografias para a posteridade. 

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A meio, e pelo meio nos vamos ficando, meio calados, meio confusos, meio esclarecidos, meio empobrecidos.  

 

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Parece que o maior problema de Portugal são os portugueses

30
Mai21

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Ilustração  Peter Gut

Há muito, muito tempo, na era do covid, num país chamado Portugal, onde viviam cerca de dez milhões de habitantes, as pessoas foram obrigadas por lei a usar máscara enquanto andavam nas ruas das cidades e das vilas, era assim que estava estipulada a melhor maneira de conter a disseminação do vírus, quem não cumprisse poderia incorrer numa multa valente, mas depois vieram os ingleses  e os empregados de mesa viveram felizes para sempre. 

As novas formas de escravatura

06
Mai21

Vivemos num mundo em constante mudança, cada vez mais insistimos nos ritmos alucinantes, sabemos que em muitas áreas da nossa vida pessoal e profissional as tecnologias vieram facilitar o nosso quotidiano, no entanto à mistura trouxeram novas formas de escravatura, tudo é facilitado tanto para o bem como para o mal. 

Todos os dias milhões de pessoas são vítimas de escravatura, tráfico humano, exploração para pagamentos de dividas, servidão, tráfico infantil, sejam homens ou mulheres, basta estarem em situação vulnerável para serem aliciadas de forma fácil.

A escravatura moderna é comum, está presente no nosso dia a dia, para isso basta pensarmos a que preço compramos os produtos que usamos para nosso prazer, podemos também incluir neles os bens alimentares. Uma simples promoção, ou preços baixos, podem significar que aquele produto foi produzido sem as justas condições laborais e de pagamento de um salário digno. Assim, o que nos parece como sendo uma coisa boa, tem um outro lado que importa pensar. A cultura do imediato, impede-nos de relacionarmos os factos. Os quais temos noção de que existem, mas tratamo-los como se fossem de um outro mundo. 

Sabemos que, nestes mundos paralelos, nas economias rurais e informais, nas empresas e cadeias de abastecimento globais, nos países em crise e em situação de fragilidade, negam aos trabalhadores os seus direitos humanos básicos no trabalho, poderíamos pensar que é lá longe, e é, mas também é no Alentejo. E dói. Dói ver como estas pessoas - apesar de tudo - ainda se sentem felizes por terem uma vida assim. 

 

 

Crime ambiental no Rio Sado

Janeiro 2021

22
Jan21

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Faltam-me as palavras para descrever o que está a acontecer no Rio Sado, uma torrente de lama cobre agora tudo o que encontra no seu caminho, é a morte a assolar tudo o que lhe aparece pela frente. São lamas de dragados, que soterram o sapal, e a zona envolvente, que tornam o Estuário do Sado num lodaçal putrefacto, matando as espécies que dele dependem, empobrecendo de uma maneira feroz a biodiversidade já de si frágil. 

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Devastando a produção ostreícola adjacente, a recolha de marisco e a desova do choco. Ali, mesmo ali, começa o território delimitado pela convenção internacional Ramsar, que visa proteger zonas de habitat de aves aquáticas. Estas lamas ameaçam invadir os lençóis aquíferos que alimentam a vegetação da zona e colocar em causa todo este habitat. 

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Tudo isto demonstra um desrespeito assustador pela biodiversidade, com a conivência de quem deveria proteger um património que é comum a todos nós. À vista de todos, manipula-se a inversão das prioridades, deixando para o futuro, que pode estar demasiado próximo, a criação de soluções alternativas à já mais que ultrapassada "revolução industrial", onde tudo se destruía a preceito da bandeira erguida como economia e progresso. 

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Mais do que confinados em casa, estamos cada vez mais confinados de pensamento, sem ação nem dever cívico, que a troco de uns quantos miúdos vendemos a eito a nossa sobrevivência. Pergunto-me: O que têm agora para dizer os especialistas que fizeram os estudos de impacto ambiental e os que aprovaram estes planos de inovação e empreendedorismo? Chegam denuncias de lamas que se alastram até Alcácer do Sal, a cerca de 25 km de distância da praia da Mitrena, local onde começou o derrame de lodo.  

É desolador olharmos para estas imagens, mas ainda mais é o silêncio envolto em tudo isto. Envergonha-me ver esta desresponsabilização por parte de quem nos devia dar o exemplo.  

 

As fotografias são de:  SOS Sado

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