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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Resiliência

17.09.20, Alice Alfazema
  Vamos começar agora uma nova fase da pandemia, uma fase em que será necessário uma forte resiliência, em que devemos, mais do que nunca, estar atentos aos riscos físicos, é certo que possuímos a informação para a nossa protecção, aquela que se julga apropriada à situação. Mas ninguém nos prepara para a solidão, para o vazio, para a falta de afecto, não que não haja isto tudo, mas falta a presença, falta o calor do abraço, o toque dos beijos, e a (...)

A irmã do vírus COVID-19 chama-se crueldade

05.09.20, Alice Alfazema
Ilustração Francisco Fonseca   Eu tenho uma janela para o mundo. Tu tens uma janela para o mundo. Eles têm uma janela para o mundo. Todos os dias o Sol incide a sua luz e o seu calor nessa janela. Todos os dias a Lua espreita por ela, umas vezes mais cheia, outras mais pequenina. Nessa janela acontece de tudo, há barulho, há silêncio, há roupa estendida, há plantas verdes. É uma janela com (...)

As bolas e as riscas

24.07.20, Alice Alfazema
Estive a arrumar uma estante e fico sempre surpreendida com o lixo que acumulo. Nestes últimos tempos tenho conseguido livrar-me de bastantes coisas, o truque é fazer aos poucos, e deitar fora sem pensar, mais ou menos como quando esprememos uma borbulha, dói, mas tem de ser. O pior é que eu dantes nem acumulava nada, na Primavera fazia uma razia, agora é isto, mas não pode ser. Para além disso não tenho comprado coisas inúteis. Apenas o indispensável. Há meses que não coloco (...)

Quotidiano elástico

06.06.20, Alice Alfazema
  Ilustração Virginia Soriano Gayarre     Depois de tanto tempo sem ir às compras hoje fui ver as montras e pela primeira vez em meses entrei numa loja, comprei linha de algodão para crochet, elástico e tecido não tecido. Havia muita gente na rua, algumas pessoas andavam de máscara, outras nem por isso, umas tinham-nas ora no queixo, ora com o nariz de fora, as lojas estavam animadas de gente, não que tivessem apinhadas, nalgumas lojas apenas podiam entrar uma pessoa de cada (...)