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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

A velha

24.05.12, Alice Alfazema
    A velha vive há mais de cinquenta anos na mesma casa é um peso na sociedade, já passou fome e, volta agora a passar fome. A velha tem uma reforma de merda, no entanto tem um sorriso genuíno, os dentes é que são postiços, está só.   Está só, não tem telefone, nem comida no frigorifico; trabalhou toda a vida, o valor do seu trabalho não existe. Vive na (...)

Pai natal amarelo

29.04.12, Alice Alfazema
    Quase todos os dias passo por uma casa onde moram uns chineses, quando por lá passo há sempre alguém que, ou está a regar as plantas, ou à janela, ou simplesmente a espreitar. Dá-me a sensação que será a avó lá da casa. Magrinha. Sempre com um sorriso na cara, daqueles sorrisos que contagiam. Uma figura impar. Pelo menos por estas bandas.   A senhora tem a (...)

Bonecas

22.02.12, Alice Alfazema
    Já me perdi no tempo. Meus cabelos ficaram brancos e baços. Já brinquei com bonecas. Dei gargalhadas cristalinas. O tempo passou, e eu azedei. Criei nata, como um leite esquecido, coalhei. E o bolor veio, entranhando-se-me nos  ossos. Quero inverter isto, quero que a pele se alise, que os músculos voltem à sua rigidez original. Não posso, o tempo não me deixa. (...)