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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Triângulos

06.11.20, Alice Alfazema
  Estamos no meio dos triângulos, são pontiagudos e parecem ter uma base fixa, de repente ficam virados  ao contrário, e não sabemos bem como os pousar de forma segura. Limbo.     Ilustrações de Andrea Peterson    

Caminhos

Trás-os-Montes

26.10.20, Alice Alfazema
Fotografia de Pedro Rego   Precisamos de mais caminhos assim. De muitos caminhos como este. Eu gostava de ter um caminho destes só para mim. Onde eu pudesse andar sem encontrar ninguém, ouvir apenas as vozes dos pássaros, o murmulhar da água escondida entre as rochas, e o silêncio de entre os ramos. Imagino-me assim a caminhar em direcção a um outro tempo, a cada passo dado, uma maior proximidade em alcançar o (...)

A irmã do vírus COVID-19 chama-se crueldade

05.09.20, Alice Alfazema
Ilustração Francisco Fonseca   Eu tenho uma janela para o mundo. Tu tens uma janela para o mundo. Eles têm uma janela para o mundo. Todos os dias o Sol incide a sua luz e o seu calor nessa janela. Todos os dias a Lua espreita por ela, umas vezes mais cheia, outras mais pequenina. Nessa janela acontece de tudo, há barulho, há silêncio, há roupa estendida, há plantas verdes. É uma janela com (...)

Ultramar, Angola, refugiados, Portugal, racismo, educação, memórias, lembranças, infância...

Vamos aprender a ler nas entrelinhas

31.07.20, Alice Alfazema
  Tirei estas fotografias para vos mostrar como era estudar em Angola nos anos 70 do século passado, muitos de vocês partilharão destas memórias, que até nem são minhas, são do meu marido. Estas páginas são de um livro da 1º classe, onde lhes era ensinado a ler as frases básicas do seu quotidiano.     Nós que por estes dias temos falado tanto em existir racismo em Portugal, esquecemos as feridas que nos foram impostas. A mim calhou-me um pai vindo do Ultramar, obrigado a (...)