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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - Grande Pai!

10.10.18, Alice Alfazema
Eram exactamente três e meia da tarde, numa tarde de Outubro, com uma brisa fresquinha no ar, a professora deu feriado à malta do 5º ano, anda alegria no ar, gritinhos, boa, boa!   - Onde é que está a senhora da papelaria? - Está a lavar as casas de banho. - Mas eu tenho fome! Eu estou cheio de fome! Tenho fome. - Se tivesses em aula não podias estar a comer. - Mas eu tenho muita fome.   A malta só pode comer depois de comprar a senha na papelaria. Então, o menino saca do (...)

Conversas da escola - Merda rala/UL-250

14.06.18, Alice Alfazema
Mãezinha querida falando sobre a sua filha com a funcionária que está na portaria, vulgo auxiliar ao portão da escola:   - Ela está suspensa e você está-se cagando para isso.      É bom termos elogios destes no nosso local de trabalho, dá-nos um outro ânimo. Concordam comigo? Ou devemos tomar UL-250?      

Balancé

31.05.17, Alice Alfazema
    Faz este ano precisamente dezassete anos que a minha mãe morreu, era Maio, o Dia da Mãe calhou num domingo dia sete e ela foi na terça dia nove. Foi levada pelo sono da tarde, nem uma expressão de dor, apenas ficou o frio extremo que eu jamais pensei existir. Os meus avós eram pescadores, o meu pai também, pessoas habituadas ao risco e conhecedoras da morte. A minha mãe tinha uma doença incapacitante que a podia devorar a qualquer momento, no entanto ela era uma animadora de (...)

Receitas da minha mãe

22.02.17, Alice Alfazema
Quando eu era pequena e ia para a escola ou brincar para a rua a minha mãe dizia-me: se te oferecerem rebuçados, chocolates ou outras coisas para comeres, e tu não conheceres a pessoa que tas oferece, aceitas, aceitas sempre. Depois quando ninguém estiver a ver deitas fora, nunca comas. Percebeste?    Assim meus amigos, para aqueles que estão em posição de ter de ouvir de tudo e mais alguma coisa, oiçam, oiçam sempre, mesmo que as conversas não vos digam nada, mesmo que (...)

Mãe

30.04.16, Alice Alfazema
  Ilustração  Stephane Lauzon       Quando eu nasci, ficou tudo como estava. Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve estrelas a mais... Somente, esquecida das dores, a minha Mãe sorriu e agradeceu. Quando eu nasci, não houve nada de novo senão eu. As nuvens não se espantaram, não enlouqueceu ninguém... Pra que o dia fosse enorme, bastava toda a ternura que olhava nos olhos de minha Mãe...   Sebastião da Gama, in 'Antologia Poética'  Ali (...)