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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Trilho musical

23.11.15, Alice Alfazema
Ilustração  Mark Smith   Encontrei este texto escrito pelo meu filho, estava guardado numa gaveta, quem o guardou já cá não está. E quem o escreveu não se lembra de quando o fez. É um pedaço de papel escrevinhado a lápis de carvão. Momentos. Silêncios. Risos. Ternuras. Lembranças.   Surge por entre um trilho musical, composto por colcheias, seminimas e pausas, um individuo, o qual considero um amigo e um exemplo, um ídolo. Destaca-se por entre a multidão monótono e (...)

Uma pergunta por dia: Os velhos têm mais genica que os novos?

26.10.13, Alice Alfazema
Fotografia Beaudenon Florian A minha avó era assim como a senhora desta foto, sempre de sorriso no rosto, talvez eu tenha herdado isso. Gostaria de ter a mesma genica que a movia. Gostaria, também, de poder voltar a abraçá-la e de receber essa energia que emanava dela, de sentir as suas bochechas cheias de rugas e de lhe fazer arroz doce. Uma pergunta por dia até (...)

Maio

01.05.13, Alice Alfazema
  Maio coberto de rosas, rosas com espinhos, espinhos com audácia, Entre uns e outros escapa a esperança. É o domínio da alegria. As rosas nas jarras enfeitam os olhares, trazendo lembranças. Corações perdidos. Corações achados. Encontros. Felicidades. Nas memórias outras rosas, outros encontros, outras alegrias. Na rua, os quintais disputavam entre si o seu (...)

Sentido prático

22.02.13, Alice Alfazema
A minha avó tinha um gato chamado Pirolito. E outro também chamado Pirolito, e mais outro e outro também chamados de Pirolito. Nunca houve dúvidas sobre o nome de cada gato. Cada um reconhecia o nome como sendo só seu. Se dúvidas houvessem sobre o nome de cada um todas seriam esclarecidas. Havia o Pirolito branco. O Pirolito preto. O Pirolito mansinho. O Pirolito rameloso. O Pirolito com a orelha ratada. O Pirolito gordo. O Pirolito escanzelado...   Há uns anos também tive um (...)

Poema

20.09.10, Alice Alfazema
Ao meu avô… Sombra de gnómon , Esse teu relógio de sol tem parca luz. Quanto do vento já nos acariciou os cabelos? Quanto da chuva já se vazou em nós? Quanto do fogo já nos esclareceu o caminho? Começámos por ser uma larva de alma, A borboleta que serpenteia no cerúleo. Fomos também libélula de asas cristalinas Num meio de céu e oceano. Fomos a freicha de pirilampos fosforescentes na completa escuridão, Uma águia soberana e majestosa, Que olhou em caleidoscópio o mundo (...)