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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Daqui, dali, de acolá

08
Abr13


Ilustração Ana Afonso


"É impossível que o tempo actual não seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto às ordens da primeira solicitação. Tudo quanto era coerência, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou três casos pessoais que conheço do século passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limitações, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no início dela. Além disso heróica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora é esta ferocidade que se vê, esta coragem que não dá para deixar abrir um panarício ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferença haverá entre uma humanidade que é daqui, dali, de acolá, conforme a brisa, e uma colónia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e não têm mais nenhuma hesitação nem mais nenhum entrave."


 Miguel Torga, Diário, 1942.




Alice Alfazema

Uma pergunta por dia: O que é um poema?

07
Nov12

Olha as flores erguidas como estrelas no céu do jardim

Generosamente regadas pela chuva.

Caíram lentamente uma após uma. Alguém dirá:

Um génio mau que procurava surpreender um segredo

aproximou-se para escutar

e desfolharam-se sobre ele para o lapidar.

Olha também o regato sobre qual a brisa, hábil artesão,

afeiçoou ornamentos de bolhas.

 

Ibn Al- Alam Assantamari



Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.



Alice Alfazema