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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Flores

19
Out21

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Ilustração Anne Cotterill

É surpreendente como vivem as flores através duma pintura, deixando pela mão de quem as pintou o seu perfume em modo infinito, colocadas na tela são eternizadas pelo momento, ficaram junto delas e assim capturadas: a luz daquele dia, a melancolia daquela tarde e a finitude de um pensamento.

 

 
Há sempre um anjo que vela
Sob a forma de um gesto
De uma palavra
De um sopro
De um acorde
De um abraço
De um voo súbito
De uma canção.
Ao alcance do que nem pedimos.
 
 
O poema é de Maria José de Barros 

Almocinho de domingo

20
Jun21

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Durante muitos anos a minha alimentação foi essencialmente à base de peixe, peixe bem fresco, acabado de pescar pela madrugada, lá em casa era raro comer-se peixe ou carne congelada. A não ser quando o velho lobo do mar chegava da Mauritânia e trazia garoupas, pargos rosados, lagostas, corvinas, cada posta ultrapassava largamente o diâmetro do prato, nessa altura eu não sabia o quanto era privilegiada por ter à mesa destes manjares, desconhecia completamente o que era carne com gordura, nem sabia que se cozinhava entremeada, só a partir dos vinte cinco anos conheci tal iguaria. 

A minha cozinha cheira a Algarve e a Alentejo, muitas das vezes os dois se misturam, trazendo deliciosas memórias que teimo em partilhar. De há dois anos para cá que voltei a privilegiar a compra de produtos locais, são sabores  mais genuínos, com pouco tempo de recolha entre o produtor e o consumidor, são produtos da época, com a sabedoria da Natureza. Hoje deliciei-me com morangos maduros da zona de Palmela, grelos de couve-nabo, chocos frescos da nossa costa de entre outros que comprei. 

Há quem afirme que os produtos são mais caros que nas lojas comerciais onde existem variadas promoções, não vejo isso, sendo que hoje comprei os morangos a euro e meio o quilo, ora onde é que se conseguem promoções destas nos super, vendem sim a esse preço mas é só meio quilo, alfaces tenras e saborosas a cinquenta cêntimos, e não são pequeninas, toda a fruta tem a doçura que o sol lhe confere. 

Encanta-me aquela relação de proximidade entre quem produz e quem compra,  é um gosto ver o orgulho com que descrevem os seus produtos. Encantam-me aquelas mãos de dedos grossos e marcados pelo sol, marcas de labuta. É com enorme gratidão que trago isto tudo para casa. 

 

Hoje, Dia Internacional do Fascínio das Plantas

18
Mai21

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Fotografia David Germano, Erva-borboleta.

 

Hoje descobri que é o Dia Internacional do Fascínio das Plantas, interessante esta designação, e por coincidência, nestes longos meses em que não pudemos usufruir completamente do nosso tempo, dediquei-me a observar e a fotografar as flores que encontrei nas redondezas da minha casa. Foi um fim de Inverno e um começo de Primavera mágicos, preenchidos com novos conhecimentos, recordações de infância e agradáveis surpresas vividas em pequenos passeios para desentorpecer as pernas e a mente. A minha enorme Gratidão e Fascínio a estes seres vivos que me permitiram manter a sanidade mental em dias de mente muito nebulosa. 

Surpreenda-se também e visite o Museu Virtual Biodiversidade, da Universidade de Évora e desfrute deste maravilho mundo encantado das nossas plantas. Ou ainda, a Sociedade Portuguesa de Botânica, no site Flora.on.