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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Conversas da escola - Assaltos na escola

03
Out18

Pergunto a um miúdo do 6º ano:

 

- Então está tudo bem?

- Estou um pouco cansado.

- Andas o dia todo com a mochila às costas, não tens cacifo?

- Não. A minha mãe não quer, diz que depois roubam tudo. 

 

 

Atenção

 

Os pais não devem transmitir as suas ansiedades e os seus medos aos seus filhos. A grande maioria daquilo que desaparece na escola é puro esquecimento nos mais variados espaços escolares. Todos os anos há imensa roupa, calçado, material escolar que não é reclamado. Antes de dizer que existem roubos procurem saber a verdade. Também, não inventem notícias à porta da escola, como por exemplo falar mal dos funcionários e dos professores, sem saberem do que falam, apenas baseados em queixinhas das criancinhas, ou em observações feitas em cinco minutos. Se querem observar com olhos de ver, procurem saber quantos funcionários existem para o número de crianças que frequentam a escola, façam as contas e vejam se estão segundo o rácio, contem também com as muitas que têm necessidades especiais, a chamada escola inclusiva. Falem com os vossos filhos, mas façam-no dentro do contexto, não aproveitem só as palavras que querem. E já agora, lembrem-se também de elogiar. Porque a malta aqui trabalha em stress crónico, sem ar condicionado no calor, nem aquecimento no frio, malta que dá a camisola e por vezes até o lanche que trás. É impossível estar motivado num sítio onde constantemente somos maltratados através de calúnias. 

Conversas da escola - Amor incondicional

08
Set18

 

IIlustração Bill Mayer

 

 

 

Ontem recebemos um telefonema que nos deixou muito felizes, depois de ouvir falar mal constantemente sobre o nosso trabalho é bom saber que existem caminhos que acabam em bem.

 

- ...eu sou a avó do...e estou a telefonar para vos agradecer tudo o que fizeram pelo meu neto...ele agora está bem, já deixou as más companhias, está a trabalhar e gostam muito dele lá no trabalho, é para vos agradecer...

 

Ficamos arrepiadas, as notícias boas raramente nos chegam aos ouvidos, são muitos miúdos, mas lembro-me daquela avó, cujo o neto vinha de outra escola, porque ela queria que ele se endireitasse, lembro-me que telefonava para a escola quase todos os dias, senão mais que uma vez ao dia - ele já era um adolescente grandote - e perguntava se ele já tinha entrado, porque ele não lhe atendia o telefone e ela queria confirmar, e então eu recebia ordens para ir até à sala disfarçadamente ver se ele estava na aula, dizíamos então à senhora que sim que estava na sala de aula e ela ficava aliviada. 

 

Ficamos tão-encantadas por este agradecimento tão genuíno e despretensioso. E eu fico a pensar naquela avó guerreira que nunca desistiu do neto, que sempre insistiu e procurou alternativas àquilo que se estava a passar. Criou um objectivo e concretizou-o, pediu e muitas vezes implorou, mas conseguiu e nunca se acobardou, nem teve vergonha, foi à luta e muitas vezes em sofrimento, porque estes males fazem-nos doer a alma e derrubam-nos de uma forma permanente. Um grande bem haja para esta Senhora.