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Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

Alice Alfazema

Recortes do quotidiano: do meu, do teu, do seu, e dos outros.

#diariodagratidao 08-02-2019

08
Fev19

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Ilustração Horacio Sierra

 

Imaginemos que isto dos blogues é um bairro, sendo assim considero que somos todos vizinhos, mesmo que nos encontremos a muita distância uns dos outros, o que é fantástico. Quem como eu cresceu sem esta ferramenta, talvez ainda se fascine todos os dias com isto. A mim encanta-me. Por isso é para mim extremamente gratificante chegar a casa e ligar o computador e encontrar um elogio de um dos meus vizinhos, não é a primeira vez que isso me acontece já tenho tido elogios de mais vizinhos, mas hoje queria destacar este. Obrigada

 

O que temos de mais precioso?

10
Jul17

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Hesitante entrou numa cadeia de fastfood alemã que serve peixe. Era um desses dias claros e de termómetro benevolente. A velha senhora era alta, vestida de branco. Cabelo alvo, penteado com aprumo e preso por ganchos. Encomendou a refeição e sentou-se, com dificuldade. Deve ter sido uma mulher belíssima. Ainda o é no Inverno da vida. A postura das costas esculpia uma estátua. Pegou nos talheres com as mãos descarnadas, mãos de velha, gastas pelos anos, talvez pelos afagos. Caíram. Voltou a tentar. Caíram de novo. Tremiam-lhe as mãos. Fechou-se-lhe o rosto. Sem uma palavra o empregado, no início dos vinte anos, sentou-se à sua frente. Pegou nos talheres com ternura e paciência, galanteou com ela e deu-lhe a refeição à boca. O restaurante pôs-se num silêncio comovido, havia como um retalho de luz a iluminar toda a severidade dos dias. A velha senhora sorriu, agradeceu ao empregado e levantou-se muito digna, quase leve. Pareceu-me à saída do restaurante uma menina. 
Não sei onde li que devíamos aprender a escutar como se estivéssemos na orla da praia contemplando o mar, nessa contemplação teríamos encostado ao ouvido um búzio que nos ajudasse a ouvir de perto a dor, o sofrimento dos outros ou conceder-lhes o que de mais precioso temos: o nosso tempo.

 

Texto de Helena Ferro de Gouveia, retirado do blogue Domadora de Camaleões.

 

 

 

Alice Alfazema

Pensar apenas em nós próprios...

22
Mai16

Ousar pensar apenas em nós próprios é um terreno delicado, pleno de nuances, onde a liberdade, atrevida, pode ser epitetada de irresponsável ou, até mesmo, de egoísta. Contudo, à altura, ninguém se apercebeu do meu estado de necessidade. Perdido e sozinho já eu estava há muito; preso e camuflado, também. Diz-se aos sete ventos que não adianta fugir dos problemas, pois eles nos acompanham para onde quer que vamos. Também não digo o contrário, mas a evasão não é fugir, é a árdua arte de separação entre o que é e o que não é; o que somos e não fomos, o que perdemos e podemos encontrar, o que nos é essencial e dispensável. Sim, é um limbo, uma linha divisória que separa os pés do chão das ânsias do céu.

 

Paulo Abreu e Lima, no blogue, Assim na Terra como no Céu.

 

 

 

Alice Alfazema